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Vanderlei Luxemburgo

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  1. 31/10/2007

    Livro e DVD recordam título inédito do Flu



    Aproveitando os bons ares de Florianópolis, cidade que recebeu a grande decisão da Copa do Brasil, a diretoria do Fluminense finalmente autorizou a comercialização do documentário “A conquista”, alusivo ao triunfo tricolor na competição organizada pela CBF.

    O filme será lançado oficialmente no próximo dia 19, às 21h, no Cine Odeon-BR, centro do Rio de Janeiro. Após a sessão, os DVDs estarão à disposição dos cinéfilos torcedores. Quem quiser ir à sala escura deve comprar o ingresso já a partir da próxima semana na Flu Boutique.

    Na carona do lançamento deste DVD, está o meu livro, “A conquista do Brasil e a volta à América”, também sobre o título inédito da Copa do Brasil. A publicação reunirá as crônicas publicadas no Blog do Flu ao longo de todo o ano de 2007, além de outras inéditas, como as das sete primeiras partidas do time na Copa do Brasil. A caprichada capa do livro está aos cuidados do designer gráfico Júlio Oliva.

    Embora esteja em fase avançada de acabamento, o livro depende ainda de um parceiro para ser lançado. Editoras interessadas são bem-vindas a este projeto.

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  2. 29/10/2007

    Um sonho a mais



    Em excelente entrevista concedida ao Globoesporte.com, o presidente da Unimed, Celso Barros, que há nove anos estampa o nome de sua empresa, líder de mercado, na camisa do clube que há mais de um século tem a hegemonia de títulos no futebol do Rio de Janeiro, revelou importantes detalhes desta parceria, que segundo o próprio empresário, poderá se estender para além de 2009. Uma grande notícia para o Fluminense, que, em tese, poderá contar com grandes elencos pelos próximos anos, decisivos no processo de internacionalização de sua marca.

    Depois de ver o Flu retornar à Taça Libertadores da América, uma obsessão de Celso Barros, o ilustre tricolor quer agora, além da própria conquista continental, o título brasileiro, outro velho sonho de Celso, que, entre 2001 e 2005, ajudou o Flu a terminar entre os cinco primeiros colocados desta competição em três ocasiões.

    Novo triunfo em um Campeonato Brasileiro ratificaria o Flu como uma das grandes forças do nosso futebol. O clube chegaria ao seu quarto título nacional e, por tabela, à sua quarta Libertadores. A Taça de Prata-1970, o Campeonato Brasileiro-1984 e a Copa do Brasil-2007 já fazem parte da gloriosa história do Flu, que quer alçar vôos ainda maiores já a partir deste 2008, que se aproxima. E no que depender de nosso investidor a galera tricolor terá muito o que comemorar.

    E por falar na torcida do Fluminense, a festa feita por ela no Aeroporto Santos Dumont, no Aterro do Flamengo e nas Laranjeiras no dia em que a delegação tricolor chegou de Florianópolis (SC) com o taça da Copa do Brasil na bagagem fez os visionários olhos de Celso Barros marejar. “Chegar ao clube e ver 20 mil tricolores em êxtase foi muito emocionante. A alegria da torcida, as pessoas nas ruas... Não há como não se envolver”.

    Talvez por ter vivido esta encantadora experiência, Celso Barros queira vê-la novamente. A formação de um elenco forte e vencedor está mesmo em seus planos. E se a vinda de Riquelme, apesar de não ser carta fora do baralho, parece depender de uma complicada transação, a contratação de Dodô, o artilheiro dos gols bonitos (vide gol que marcou no último domingo), está cada vez mais próxima. Seria a segunda passagem do jogador pelo Flu, onde já atuou em 1994, quando não teve muitas oportunidades e pouco apareceu. Ferreira (Atlético-PR), que pode ser trocado por Soares, e Leandro Amaral (Vasco) são outros jogadores que podem pintar nas Laranjeiras em janeiro. Além destes, muitos outros nomes estão sendo mantidos em sigilo pela cúpula tricolor.

    Por outro lado, a barca que deixará o clube no fim do ano também não deverá ser pequena. Por questões éticas e profissionais, os atletas que farão parte dela ainda não foram oficialmente divulgados, o que só deverá acontecer no dia 2 de dezembro, data da 38ª (última) rodada do Brasileirão. Apesar disso, dá pra imaginar que, entre outros, jogadores como Ivan, Carlinhos, Maurício, David, Cícero, Jean, Soares e Alex Dias deverão integrá-la. Fernando Henrique e Fabinho, apesar de não contarem com o apoio da maioria dos torcedores, têm a confiança de Renato Gaúcho e deverão ser mantidos no elenco, ainda que entre os reservas, principalmente o goleiro.

    Ainda na entrevista ao repórter Caio Barbosa, o presidente da Unimed falou de sua expectativa para a Libertadores e do agito da massa pó-de-arroz, que deverá lotar o Maracanã durante toda a competição. “A torcida tricolor é extremamente animada. É bonito ver mulheres, crianças e famílias indo aos estádios. Não tenho dúvidas de que o Fluminense vai montar um time forte em 2008 e veremos esta festa muitas outras vezes”.

    Amém, doutor!

    ***
    Celso Barros pode ter se esquivado do assunto Thiago Neves, mas a galera tricolor, não. Vaiou-o durante boa parte do segundo tempo do jogo contra o Atlético-MG. Menos por sua atuação e mais pela péssima conduta demonstrada na assinatura de dois contratos. Ainda que sob influência de um de seus agentes.

    Que Fluminense e Palmeiras não saiam lesados dessa história, que tem tudo para se arrastar pelas próxima semanas – quiçá meses.

    ***
    E se você, como eu, ficou decepcionado com as duas últimas atuações do Flu contra Goiás e Atlético-MG, siga meu conselho: relaxe aí, tricolor! Esses jogadores que agora nos frustram são os mesmos que há algumas semanas nos brindaram com boas apresentações contra Botafogo, Flamengo e São Paulo (primeiro tempo).

    Sei que você dirá que, como profissionais, os atletas têm obrigação de comer a bola durante toda a temporada, independentemente de o time ainda brigar por alguma coisa ou não. Verdade! Mas, convenhamos, esse papo de vestibular do Renato já deu, e, intimamente, o jogador que vive o dia-a-dia do clube já sabe qual será seu destino ao fim do campeonato. Diante disso e da falta de possibilidades de brigar pelo título, como seres humanos que são, dá perfeitamente pra entender (embora não justifique) que o rendimento do time caia nesta reta final.

    Terminar entre os seis ou sete primeiros a esta altura já estaria de bom tamanho.

    ***
    Uma cena chamou minha atenção neste empate em 1 a 1 com o Atlético-MG. Após uma jogada de ataque do Galo que quase resultou em gol, aos 15 minutos, o técnico Renato Gaúcho, irritado com a apatia do time, apontou para o banco de reservas e, esbravejando, mandou que todos os reservas se aquecessem.

    Os suplentes, pianinhos, obedeceram, mas a pressão psicológica sobre os titulares pouco adiantou e o Flu não saiu daquele irritante marasmo.

    ***
    Adriano Magrão é mesmo um predestinado. Depois de ser decisivo na conquista da Copa do Brasil, entrará agora para a história desta edição do Campeonato Brasileiro como o autor do gol mais rápido da competição.

    Dizer, porém, que não vê muita vantagem na proeza por já ter feitos muitos outros gols como esse é uma mentira de dar inveja ao Pinóquio.

    ***
    Fez bem o presidente Horcades em mandar confeccionar uma faixa com os dizeres “O Maraca é nosso”, exibida na entrada do time em campo no último sábado. É vergonhosa a pressão de parte da mídia para que o estádio seja administrado pelo Flamengo a partir de 2008.

    É partir pra briga e colocar a boca do trombone, Fluzão!

    ***
    Sem essa de revanche da final da Copa do Brasil. O jogo entre Figueirense e Fluminense nesta quarta-feira será apenas mais um da 33ª rodada do Brasileirão.

    Até porque a taça já está nas Laranjeiras e a vaga à Libertadores, assegurada.

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    Mais uma vez: “O Maraca é nosso, Fluzão!”.

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  3. 24/10/2007

    Um rugido (quase) centenário



    Fluminense e Atlético-MG deverão fazer partida equilibrada neste sábado, às 18h10. A seis rodadas do fim, os adversários lutam por objetivos opostos: enquanto o Flu tenta terminar o Campeonato Brasileiro no G-4, o Galo quer evitar novo rebaixamento num intervalo de apenas três anos.

    Uma atração à parte do clássico estará do lado de fora do campo. Renato Gaúcho e Leão figuram hoje como dos principais técnicos da atual safra brasileira. Mas se desta vez duelarão em partida nem tão decisiva assim, em 2002, quando o Tricolor comemorava seu badalado centenário, o Rei do Rio e o Rei da Selva por muito pouco não fizeram decisão histórica no Maracanã.

    À época, Renato e Leão dirigiam, respectivamente, Fluminense e Santos, que terminaram a fase de classificação do Campeonato Brasileiro em 7º e 8º lugares, conquistando suas vagas às quartas-de-final na bacia das almas. Apesar disso, contrariando expectativas, eliminaram São Caetano e São Paulo e chegaram às semifinais, fase em que enfrentaram Corinthians e Grêmio. O Peixe avançou à finalíssima; o Flu, não. Dirigido por Carlos Alberto Parreira, o Corinthians teve que cortar um dobrado para eliminar o Tricolor: perdeu no Maracanã por 1 a 0 (gol de Romário) e venceu no Morumbi por 3 a 2. Como terminara a etapa classificatória em melhor posição, o time paulista decidiu o título com o Santos.

    Peço aos leitores que atentem agora para um lance que por muitos passou despercebido e que, fatalmente, mudaria o curso daquela edição do Brasileirão. O Flu vencia também por 1 a 0 no jogo da volta no momento em que Magno Alves, em posição legalíssima, foi lançado, avançando sozinho pela intermediária adversária. Àquela altura, um segundo gol destruiria psicologicamente o Corinthians, que teria que desfazer uma vantagem de três gols. Lamentavelmente, porém, Magno foi impedido pela arbitragem de decidir a classificação a favor do Flu, que disputaria contra o Santos, de Leão, o título brasileiro.

    Já imaginou, amigo tricolor, a festa que faríamos no Maracanã, palco da grande final (isso mesmo, o Maior do Mundo receberia o jogo da volta porque, como já vimos, o Flu terminou a fase de classificação à frente do time paulista).

    De um lado, o Santos, com craques como Robinho, Elano e Diego (hoje na Seleção Brasileira). Do outro, o Fluminense, então campeão estadual e em festa pelo seu centenário, empolgadíssimo com o ano histórico e com a boa fase do astro Romário, que, entre muitos outros gols, marcou o seu centésimo em Campeonatos Brasileiros na vitória por 4 a 3 sobre o Figueirense, ainda na primeira fase, também no Maracanã..

    Flu e Santos, decisão histórica, Maraca, craques, casa cheia, centenário... Inúmeros ingredientes que povoaram o imaginário tricolor naquele memorável 2002. Final que certamente consagraria um de seus treinadores, como consagrou Leão.

    Meia década se passou e quem veste a faixa de campeão hoje é Renato, que, pelo mesmo Flu, tentará o que Leão não conseguiu à frente do Santos.

    A Taça Libertadores da América.

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    Finalmente, a diretoria tricolor começou a se movimentar em busca de reforços para 2008. Já não era sem tempo. Voltarei ao assunto.

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  4. 21/10/2007

    O Rivellino da vez



    O que tinha ares de mera especulação agora vem ganhando contornos cada vez mais palpáveis: Riquelme pode mesmo ser o camisa 10 do Fluminense na Taça Libertadores da América. O interesse foi confirmado pelo coordenador de futebol, Branco, que disse que clube e patrocinador não medirão esforços (nem dinheiro) para ter o craque argentino no comando do meio-de-campo tricolor em 2008.

    Riquelme viria com status de ídolo máximo da torcida, repetindo uma história acontecida em 1975, quando Rivellino fez o que parecia inimaginável: trocou o Corinthians, onde era idolatrado, pelo Fluminense. É bem verdade que no momento da transação Riva não era mais unanimidade entre os corintianos, acusado de fracassar nos jogos decisivos do clube paulista.

    Caberia a Roberto Horcades e Celso Barros, assim, “copiar” a idéia do então presidente Francisco Horta, convencendo Riquelme a deixar o Villareal (ESP), onde não vem sendo tratado com o respeito que merece, para vir ao Rio de Janeiro vestir a camisa tricolor e conhecer as belezas naturais da Cidade Maravilhosa.

    Se eu fosse Horcades, já teria passado na maior floricultura de Laranjeiras e tratado de fazer um arranjo bem bonito para, no melhor estilo Horta, entregá-lo à esposa do cracaço da seleção argentina.

    O Maraca ficará pequeno para a galera pó-de-arroz se este cerebral jogador for mesmo o maestro do time na Libertadores.

    A conferir.

    ***
    A julgar pela atuação do Fluminense no Serra Dourada, é bom a diretoria acelerar mesmo a vinda de dois ou três reforços para a próxima temporada. O técnico Renato Gaúcho, decepcionado com a atuação de seus jogadores, disse que o time ainda está muito verde para a disputa da Taça Libertadores da América.

    E ele tem razão. Afinal, mesmo jogando muito mal, como pode um time, a dois minutos do fim do primeiro tempo, levar dois gols de contra-ataque quando vencia (1 a 0) a partida. Exemplo claro de imaturidade de um grupo que a esta altura da competição já deveria estar “na ponta dos cascos”, tinindo para a Libertadores. Em tempo: ambas as jogadas foram muito parecidas e iniciadas pela lateral esquerda do Fluminense.

    Após o puxão de orelhas no vestiário, o Flu voltou mais animado no segundo tempo, mas, de maneira decepcionante, cometeu o mesmo erro da etapa inicial no momento em que conseguiu a igualdade no placar (3 a 3): desinteressado, o time levou dois gols consecutivos quando o jogo caminhava já para o seu final.

    Acho que Renato vai ter que reconsiderar aquela declaração de que a maioria dos jogadores do atual elenco estaria hoje aprovada no vestibular da competição mais importante do nosso continente.

    ***
    Vale o registro: como jogou o Paulo Baier, hein? Além dos três gols, ainda foi responsável pelas principais jogadas de ataque do time goiano.

    ***
    Teria o Fluminense dado como missão cumprida sua participação no campeonato depois dos clássicos contra Botafogo, Flamengo e São Paulo, adversários contra os quais teve grandes atuações, somando sete pontos de nove possíveis?

    Que o Tricolor reviva seu melhor futebol sob risco de perder o apoio de sua torcida justamente num momento em que este casamento parecia perfeito.

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  5. 17/10/2007

    Gravatinha e a lâmpada maravilhosa



    Caminho pela praia e encontro Gravatinha trajando uma indumentária característica de um antigo conto infantil. Sentindo-se o próprio gênio da lâmpada maravilhosa, o bravo Gravata (perdoem-me, mas já tenho intimidade com a figura), de maneira petulante, contrariou a ordem natural das coisas e disse que faria três pedidos a mim. Sereno, embarquei na loucura do GG (gênio genérico) e deixei que os fizesse.

    “Não é nada muito complicado, não, João”, - disse, amansando-se – “Como estou dentro desta lâmpada (na verdade, um velho pneu abandonado), perdi parte de minhas forças e lembranças”.

    “E o que eu tenho com isso?”, desdenhei.

    “Ora, não seja rude. Empresto meu nome à sua coluna e exijo que você me retribua por esta honraria que lhe concedo”, falou, num golpe de humildade.

    Rindo por dentro mas mantendo a seriedade, marquei território. “Pois então diga rápido que hoje quem não tem tempo a perder sou eu”.

    “Ok, vamos lá: estou fazendo uma pesquisa sobre nosso próximo adversário, o Goiás, e gostaria que você me citasse três jogos inesquecíveis do nosso Flu contra o time do técnico Márcio Araújo.

    “Isso é mole, companheiro: o mais decisivo aconteceu na penúltima rodada do primeiro turno do Brasileirão-95, quando, jogando nas Laranjeiras, vencemos no sufoco com um gol de pênalti nos minutos finais, resultado que deixou o Flu na boa para garantir sua classificação às semifinais em partida contra o Atlético-MG no Mineirão”.

    “Eu lembro, eu lembro. Quando o lateral Ronald partiu pra cobrança, o atacante Renato Gaúcho, de tão nervoso, chegou a ficar de costas para o lance”, complementou Gravatinha.

    “Exatamente. E cinco anos depois, quando fazíamos uma brilhante temporada na fase classificatória da Copa João Havelange, etapa em que terminaríamos na vice-liderança, ao lado do Sport-PE, demos uma bobeada histórica no Serra Dourada, deixando escapar uma vitória que parecia certa”.

    “Como foi?”, quis saber.

    “Ora, vencíamos por 3 a 1 até os 44 minutos do segundo tempo e conseguimos a “proeza” de levar dois gols de Dill nos acréscimos, sendo o último de bicicleta”.

    “É mesmo”, recordou, “E este resultado acabou interferindo no rumo do Flu na competição, que, com dois pontos a mais, enfrentaria o Remo (PA) nas oitavas-de-final, e não o São Caetano, que acabou nos eliminando num Maraca abarrotado de tricolores”, lamentou.

    “Mas o Flu daria o troco em 2005, quando o craque Petkovic, literalmente no último lance da partida, chutou cruzado e estufou a rede de Harley (2 a 1), jogando por terra uma longa invencibilidade do Goiás contra o Fluminense em seu estádio. Inesquecível!”.

    “Verdade, o Flu fez partidas memoráveis naquela temporada”, ratificou o mascotinho.

    Saciado o seu desejo, foi a minha vez de perguntar a ele se arriscaria um palpite para o jogo de sábado.

    “Aposto no Flu, claro! Mas não será fácil, estaremos desfalcados de nosso camisa 10”.

    Lembro que também não teremos Somália, e sou imediatamente interrompido.

    “Sou mais Adriano Magrão”.

    Sinal dos tempos.

    ***
    Poderia discorrer linhas e linhas a respeito da pesquisa sobre as maiores torcidas do país divulgada esta semana. Mas não é séria.

    Ou vão querer nos convencer de que aqueles 9 milhões de tricolores levantados em outra pesquisa na década de 90 viraram a casaca?

    ***
    Depois do bandeiraço, a galera tricolor quer agora retomar o velho hábito de tacar talco na entrada do time em campo, para fazer valer o apelido de pó-de-arroz, como é conhecida em todo o Brasil. É o caso do internauta Thiago Rachid, que pede um consenso com a Polícia Militar.

    “João, assim como no espetáculo das bandeiras, estamos querendo voltar agora com a velha e tradicional festa do pó-de-arroz, embora saibamos da probição por parte da PM para que ela ocorra. Penso que deveríamos entrar num acordo com aquela corporação, a fim de fazermos valer uma festa que sempre existiu em jogos do Flu no Maracanã”.

    E que festa, né, Thiago!

    ***
    A você, amigo leitor, que já está habituado a ver postadas aqui minhas colunas sempre na manhã seguinte aos jogos do Flu ou, na falta deles, às quartas ou quintas-feiras, comunico que, por motivos particulares, o próximo texto só estará no ar na manhã de segunda-feira, apesar do Tricolor enfrentar o Goiás no sábado.

    Até lá.

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  6. 14/10/2007

    Jeitão de Libertadores



    No duelo dos maiores tricolores do país (apesar de Nélson Rodrigues apontar a existência de só um) ganharam os mais de 40 mil torcedores, que assistiram a uma partida com ingredientes típicos de Taça Libertadores da América: gols, pênaltis, grandes defesas, festa nas arquibancadas, catimba, expulsão, apreensão... um turbilhão de emoções que agradaram em cheio. Tudo bem, o jogo não foi brilhante tecnicamente, mas que atire a primeira pedra aquele que assistiu ao clássico impassível, sem se mexer do lugar.

    Estivessem mesmo se enfrentando pela competição continental, o Fluminense teria eliminado o São Paulo, já que o venceu no somatório das partidas (2 a 1). Um belo tira-teima e uma prévia do que podemos esperar para 2008, principalmente se contratarmos dois ou três jogadores para as posições carentes do time, como o gol (embora confie em Diego), a lateral-esquerda, o meio-de-campo (sobretudo um apoiador, para auxiliar Thiago Neves na armação de jogadas) e o ataque (onde um goleador nato se faz urgente).

    ***
    O espetáculo das bandeiras foi mesmo de tirar o fôlego. Milhares de tricolores tremularam a todo instante o instrumento, fazendo das arquibancadas um mar verde, branco e grená.

    Sensibilizado, o coordenador de futebol do Fluminense, Branco, fez questão de agradecer à torcida por tamanha devoção neste importante momento da história do clube, que está às vésperas de nova participação na mais importante competição das Américas. “Nossa torcida deu um show, fiquei até emocionado, lembrando dos tempos em que eu ainda jogava pelo Flu. Sou grato porque teremos em 2008 uma temporada difícil, com a disputa da Libertadores, e precisaremos muito do apoio que vimos contra o São Paulo”, disse.

    Dia a dia, a massa tricolor vem dando mostras de sua beleza e magnitude nas arquibancadas, cantando a plenos pulmões e torcendo com fibra e paixão. Um exemplo, claro, de que nem sempre quem tem a maior torcida é capaz de promover espetáculo igual.

    É por isso que eu canto e visto este manto: orgulho de ser tricolor.

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    Não gostei da declaração de Thiago Neves após a partida. O camisa 10 pareceu queixoso ao dizer que estava se preparando para bater também o segundo pênalti no momento em que Gabriel pediu-lhe a bola se dizendo confiante, o que foi desmentido pelo próprio lateral. “Jamais diria que estava confiante até porque não acredito nisso: já bati muitos pênaltis sem convicção que acabaram entrando e cobrei outros tantos certo de que os converteria, desperdiçando-os”.

    Não há culpados nessa história. Segundo o técnico Renato Gaúcho, entre Somália, Thiago Neves e Gabriel, bate quem estiver se sentindo melhor no momento da infração. O lateral, que sofrera o pênalti, simplesmente quis cobrar e assim o fez, pena que à meia-altura, facilitando o trabalho de Fabiano (Rogério Ceni, ainda lesionado, assistiu à partida da tribuna de imprensa). Lembro que na vitoriosa passagem de Gabriel pelo Flu em 2005 o atleta era o cobrador oficial e não desperdiçou um único pênalti sequer.

    Por isso tudo, apoiemos Gabriel, que será utilíssimo em nossa caminhada na Libertadores.

    ***
    Historicamente um clube favorecido por arbitragens (principalmente quando joga no Morumbi), soa até engraçado ouvir o São Paulo reclamar da atuação do árbitro Ricardo Ribeiro (MG). No único lance em que errou contra o time paulista (o pênalti cavado por Gabriel), nove em cada dez juizes assinalariam a infração. Só mesmo com o recurso da câmera de baixo percebe-se que o lateral do Fluminense se atira, após ser tocado levemente, quando passava entre dois defensores.

    Mais: o resultado poderia ter sido ainda pior para a equipe dirigida por Muricy Ramalho se Ricardo marcasse um pênalti claro em Ivan no segundo tempo.

    1 a 1 saiu quase de graça para o São Paulo.

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    A contusão de Somália foi mais grave do que se imaginava. Com seu afastamento pelos próximos seis meses, Renato terá que efetivar um novo jogador no ataque tricolor.

    ***
    Antes de a bola rolar, Adriano Magrão, o Schevchenko tricolor, não poderia imaginar que entraria tão prematuramente na partida. E, melhor, que seria decisivo no resultado final, ao sofrer o pênalti que deu origem ao gol de Thiago Neves.

    É, mas se Magrão foi útil, o preciosismo de seu companheiro, Alex Dias, desta vez irritou – e muito - a galera, cansada de ver o pantaneiro querendo fazer jogadas de efeito quando deveria limitar-se ao feijão com arroz.

    ***
    Arouca foi outro que ficou devendo no dia em que completou 150 jogos com a camisa do Fluminense. Ansioso no começo, por diversas vezes errou o último passe. Tivesse caprichado um pouquinho mais, o Flu poderia ter ido para o vestiário com uma vantagem maior.

    Ainda assim, pela marca, merece aplausos nosso bravo Arouca.

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    Se mantiver a bravura e o ímpeto ofensivo da etapa inicial contra o São Paulo, vai ser difícil segurar o Fluzão em 2008!

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  7. 11/10/2007

    A bomba e o beijo



    Com promessa de casa cheia e linda festa retrô nas arquibancadas, Fluminense e São Paulo deverão fazer um jogão este sábado no Maracanã. Frente a frente, o campeão da Copa do Brasil e o virtual vencedor deste Brasileirão, que, se confirmado, terá computado no pôster do titulo a vitória do Flu no primeiro turno (1 a 0) em pleno Morumbi.

    O esperado “bandeiraço”, idealizado pelo Movimento Popular Legião Tricolor e pelo Sampa-Flu, deverá mesmo emocionar velhas e novas gerações de tricolores, que apoiarão o time a todo instante. O clássico está sendo tão aguardado que caravanas de vários pontos do país virão ao Rio de Janeiro somente para assistir ao espetáculo.

    Além das duas mil bandeiras e das quase três mil bobinas, que darão um efeito irresistível ao espetáculo, outros atrativos devem ser observados: a estréia da linda camisa grená e a marca de 150 jogos do nosso habilidoso e versátil Arouca pelo Flu.

    Esta esfera contagiante que vem incendiando nossa galera é a melhor coisa que poderia acontecer ao clube a poucos meses de sua estréia na Libertadores.

    Tu és mesmo gigante, Tricolor!

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    Breve e nostálgica recordação.

    Quando o Fluminense pisou no gramado do Morumbi naquele 2 de setembro de 1995, não havia nem três meses que uma certa barriga havia feito a alegria de milhões de tricolores de todo o Brasil. O time chegara com 100% de aproveitamento à quinta rodada do Campeonato Brasileiro, liderado pelo camisa 10, Renato Gaúcho, que, atendendo a um pedido da diretoria, deixou a 7, sua favorita, de lado, mesmo depois de, com ela, marcar o gol do título estadual.

    Vivendo novamente uma grande fase em sua carreira, Renato Gaúcho estava em paz consigo e com a vida. Brigas e confusões eram palavras definitivamente abolidas de seu dicionário. Talvez por isso, antes do início do jogo, dirigiu-se ao então técnico sãopaulino Telê Santana, com quem estava em litígio desde a Copa de 86, e, de maneira carinhosa, tascou-lhe um beijo na testa. Telê sorriu, cumprimentando-o emocionado, numa das cenas mais tocantes do futebol brasileiro. Telê retribuiria o carinho no ano seguinte, quando, já adoentado, foi às Laranjeiras prestigiar o Fluminense e Renato, que recém-operado, dirigia o time interinamente em momento crítico da história do clube. No fim, Telê trouxe sorte ao Flu, que venceu o Internacional-RS por 2 a 1, com dois gols de Uidemar.

    Volto ao Morumbi. Quando a bola rolou, o Flu, pela primeira vez na competição, saiu atrás (o time tomara até aquele momento apenas um gol em todo o campeonato). Mas o momento era mesmo iluminado. Tão especial que Renato andava se aventurando até a bater faltas, fato pouco comum em sua carreira (pelo Flu, foram apenas dois gols desta forma, um na derrota por 5 a 3 para o Vasco no Estadual-1996). E foi exatamente através de uma falta que o Rei do Rio empatou o jogo: da intermediária do São Paulo, Renato ajeitou a bola com carinho e soltou a bomba, que só foi parar no fundo da rede.

    Uma bomba santa, que manteve a invencibilidade e a liderança tricolor na competição, que teria o próprio Fluminense como um de seus semifinalistas.

    A bomba e o beijo, palavras de sentidos tão antagônicos mas que naquele dia, graças a Renato, caminharam lado a lado, emocionando fatia considerável de brasileiros, que passaram a ver aquele atleta sob um outro olhar.

    Um olhar de ternura.

    ***
    Ainda o Fla-Flu. Recebo do tricolor Fábio Magalhães, que se diz imbatível no quesito previsões, e-mail em que lista a série de “vidências” tidas ao longo do ano. Como escreveu antes do Clássico das Multidões, Fábio, a continuar assim, será forte candidato ao Troféu Gravatinha 2007.

    “Oi, João! Trabalho numa fábrica onde o assunto predominante é futebol. Fiz este ano previsões que ninguém esquece. Primeiro, ainda durante a Copa do Brasil, avisei que o Furacão viraria brisa em parque de diversões. Depois, na semifinal, disse que a Boca do Jacaré se transformaria em rabo de lagartixa. Falei a todos também, ainda quando nem estava da zona da Sul-Americana, que o Flu seria o melhor do Rio no Brasileirão. Sobre o Flamengo, anunciei que a “tropa de sofredores” teria o troco merecido, e pararia com a marra habitual de quem se considera o melhor time do Brasil. Saudações de um eterno e apaixonado tricolor”.

    ***
    Pra cima do líder, Flu!

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  8. 08/10/2007

    Com maestria e autoridade



    O Fluminense precisou de um mísero e escasso minuto para arruinar uma invencibilidade de cinco meses sem derrota rubro-negra no Maracanã. O time entrou muito ligado, sufocando o Flamengo em seu campo de defesa nos instantes iniciais da partida. Momento em que Somália, aproveitando-se de um belo passe de Alex Dias, chutou no canto direito de Bruno pra desespero da torcida vermelha e preta, que, justiça seja feita, era maioria entre os 74 mil presentes ao estádio.

    Em vão: a deslumbrante torcida tricolor, que também lotou o lado direito das cabines de rádio, fez barulho do primeiro ao último minuto do clássico, diante de uma silenciosa massa flamenguista, que sentiu o golpe e, diferentemente do que fizera no jogo contra o São Paulo, desta vez não teve força nem ânimo para empurrar sua equipe.

    No campo, o Tricolor, soberano, atuou com inteligência, não dando espaço ao Flamengo, que sequer conseguia chutar a gol. Firme na marcação, o Fluminense levou perigo nos contra-ataques e quase chegou a uma goleada em chutes de Alex Dias.

    No fim, uma vitória maiúscula de um time que se impôs com autoridade, consolidando o Flu como o melhor clube do Rio e um dos melhores do país no Campeonato Brasileiro.

    ***
    Terminou com final feliz a novela que tinha Thiago Neves como protagonista. Pesou na renovação do contrato, segundo o próprio jogador, sua vontade de permanecer no Fluminense e no Rio de Janeiro, onde está bem ambientando. Neves ficará no clube, a princípio, até dezembro de 2010. Uma cláusula, porém, permite sua saída para o mercado europeu, caso o apoiador se destaque na Taça Libertadores da América.

    Contrato assinado, Renato Gaúcho não pestanejou: mandou o roupeiro devolver ao jogador a camisa 10 para usá-la já no clássico contra o Flamengo. E não se arrependeu: se não esteve brilhante, Thiago Neves foi mais uma vez decisivo ao marcar, logo aos dois minutos da etapa final, o segundo gol do Fluminense, esfriando qualquer possibilidade de reação adversária.

    Nos primeiros 45 minutos, entretanto, Thiago Neves esteve muito preso à marcação rubro-negra. Inteligentemente, Renato Gaúcho pediu que o jogador caísse pelo lado esquerdo do campo, a fim de abrir para quem viesse de trás. Aproveitando-se disso, Arouca deitou e rolou, iniciando diversas jogadas de contra-ataque no segundo tempo, inclusive a do gol de Neves.

    Já no vestiário, numa alusão ao seu afastamento nos dois últimos jogos, declarou, impiedoso: “O Fla pagou o pato”. E sobre uma discussão com Cristian ainda no primeiro tempo, explicou: “Disse para ele tomar cuidado e abrir os olhos, senão o Fla cairá para a Segunda Divisão”.

    Voltou afiado o garoto! Dentro e fora do campo.

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    Também no vestiário, só que no adversário, o técnico Joel Santana disse que o Flu, de fato, mereceu vencer. O Natalino velho de guerra, porém, procurou atribuir o revés ao fato do Flamengo ter tido um dia a menos para se recuperar da rodada de meio de semana.

    Engraçado! No Fla-Flu do primeiro turno, realizado numa quinta-feira, foi o Fluminense que teve menos tempo de descanso (havia jogado domingo com o Santos, e o Fla, sábado, com o Náutico) e nem por isso ele falou naquela ocasião que esta vantagem interferira decisivamente para que sua equipe vencesse o clássico.

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    Ah, Juan! O Fla teve mais posse de bola? Tudo bem, o Flu teve mais bolas na rede.

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    Que coisa linda o Maraca lotado para o Fla-Flu! Arrepia até o mais cético dos torcedores. E, no último domingo, ele ficou ainda mais bonito com o show de cores e passividade demonstrada pelas duas torcidas, que compareceram com a proposta única de oferecer mais vibração e alegria ao Maior Espetáculo da Terra.

    Em tempo: a Suderj também está de parabéns pela iniciativa de entreter o público antes do início do jogo através da exibição de filmes antigos do Canal 100. A galera pôde reviver alguns Fla-Flus decisivos, entoando cânticos saudosistas e comemorando novamente os gols de seus ídolos.

    Muito legal!

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    Noventa e cinco. Este é o número de anos que o clássico Fla-Flu comemorou exatamente um mês antes da edição do último domingo. O torcedor rubro-negro mais supersticioso já devia saber que 95 não é lá um número muito favorável ao Flamengo.

    Vide o ano do gol de barriga de Renato Gaúcho.

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    Veja também a quantas anda o Clássico das Multidões nos tempos recentes: do Campeonato Brasileiro de 2004 para cá, Flamengo e Fluminense já se enfrentaram uma dúzia de vezes. Destas, o Tricolor venceu nada menos que a metade. Houve ainda quatro empates.

    Resumo da ópera: nos últimos 12 jogos, o Rubro-Negro saiu de campo comemorando apenas duas vezes, uma delas no turno deste Brasileirão. Única vitória do Flamengo, aliás, em dez clássicos cariocas da temporada 2007.

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    E não é que nosso talismã Fernando Henrique segue invicto em Fla-Flus. Só no profissional esta é a quinta vitória em cinco jogos. Um aproveitamento de 100%.

    O camisa 1 tricolor esteve presente nas duas vitórias tricolores por 2 a 1 no Brasileirão-2004, na vitória por 1 a 0 no turno do Brasileirão-2006, na virada do Flu (2 a 1) no Estadual-2007 e no triunfo tricolor do último domingo.

    Mais uma vez, lembro que, na derrota do turno deste campeonato e na do returno do Brasileirão passado, Ricardo Berna e Diego, respectivamente, eram os arqueiros tricolores.

    Se você também defende a barração de FH, podemos sugerir ao técnico do Flu que o escale somente em jogos contra o Flamengo.

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    A Polícia Militar tem todo o direito de tomar as medidas que julgar cabíveis para garantir a ordem pública. No entanto, a determinação para que ao fim do jogo a torcida do Fluminense ficasse no estádio enquanto a do Flamengo saísse foi das mais infelizes.

    Quem tentou deixar o estádio antes do fim do jogo, como eu, se viu aprisionado nos setores verde e amarelo da arquibancada, trancados pelos policiais. Revoltados, torcedores passaram a tentar, à força, abrir os portões de ferro. À distância, esperando os ânimos se apaziguarem, vi quando um policial usou o spray de pimenta contra um homem transtornado. A partir daí, objetos começaram a ser arremessados na direção dos policiais, que reagiram à base de pancadas de cacetete.

    Esta cena pra lá de deprimente poderia ter sido evitada se ocorresse o que já é de praxe em clássicos locais: cada torcida saindo por um lado do estádio.

    Uma lástima!

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    Arthur Muhlenberg, ainda bem que não segui sua recomendação e fui ao Maraca, hein? Tivesse eu acreditado naquela pasmaceira de outubro vermelho e preto, estaria agora lamentando não ter participado da envolvente festa pó-de-arroz.

    Confesso-te que não hesitei em instante algum! Muito além de sua insossa previsão, estava a de Gravatinha, mais sensata e coerente. Qual? Fala aí, mascote!

    “João, este Arthur é mesmo muito ingênuo. Você era quem deveria tê-lo aconselhado fortemente, contando-lhe que Fla-Flus disputados aos domingos no Maracanã são dias e cenário típicos de vitória tricolor. Foi assim nos últimos cinco”.

    Tá vendo só, Arthur! Foi mexer com quem não deve... Gravatinha é implacável.

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    Parabéns a vocês, torcedores tricolores e rubro-negros que captaram o verdadeiro espírito provocativo entre mim e Arthur Muhlenberg nos últimos dias. Promover este badalado Fla-Flu foi um prazer e tanto para nós, que somos gratos a todos aqueles que se manifestaram de maneira desportista e saudável.

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  9. 04/10/2007

    Então é Fla-Flu



    "O maior acontecimento do século XX é a rebelião dos idiotas. Antes, eles babavam nas gravatas; hoje, são professores, maridos, ministros, políticos. Mas tudo é Fla-Flu. O resto é paisagem".

    Este brilhante trecho escrito por Nélson Rodrigues retrata com exatidão o sentimento que nos acomete em semanas do clássico mais charmoso do Brasil. A cidade pára, respira Fla-Flu, parecendo não ter outro assunto. Também, pudera, poucos espetáculos do mundo podem se comparar a um dia de Maracanã em festa.

    É a magia do Fla-Flu.

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    A magia deste clássico é capaz de coisas que até Deus duvida. O contestado goleiro Fernando Henrique, que voltou a falhar na última quarta-feira ao não sair do gol, é um exemplo disso. O camisa 1, acredite, nunca perdeu para o Flamengo em toda a sua carreira, inclusive nas divisões de base. Nas duas únicas derrotas do Fluminense para o Rubro-Negro nos últimos 11 Fla-Flus, FH não estava em campo. Na derrota do turno deste ano e na do returno do Brasileirão-2006, Ricardo Berna e Diego, respectivamente, estavam no gol tricolor.

    Como goleiro, Fernando Henrique é um ótimo talismã.

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    É, mas a julgar pela pífia apresentação contra o antepenúltimo colocado, Corinthians (sobretudo no primeiro tempo), o Flu terá sérias dificuldades para vencer o clássico. O empate em 1 a 1 no Maracanã lembrou aquelas velhas apresentações preguiçosas que o time andou mostrando ao longo de quase todo o primeiro turno.

    Na etapa final, principalmente depois que o time paulista teve um jogador expulso (Aílton), o Flu partiu para o desespero, com Renato chegando a lançar quatro homens de frente simultaneamente. Pouco adiantou. Com características semelhantes, Magrão e Somália passaram a bater cabeça, e Soares praticamente não ameaçou. Até mesmo Alex Dias, autor do gol tricolor, curtiu uma de lateral-direito, cruzando bisonhamente duas bolas por trás do gol de Felipe.

    Uma noite para se esquecer.

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    Atuação ruim à parte, o que foi o técnico Nelsinho, após o jogo, declarando que o Corinthians teve muito mais poder de fogo que o Fluminense, faltando apenas acertar o último passe.

    Tem vezes que é melhor ser surdo, sabe...

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    E quando estava prestes a colocar um ponto final nesta coluna, recebo e-mail do blogueiro do Flamengo, Arthur Mulambada, quer dizer, Muhlenberg. Desprovido de qualquer cerimônia, o torcedor do pior do Rio destilou provocação neste nobre espaço tricolor. O desespero se mostra tão evidente que Arthur teve de apelar até a crendices e superstições para apontar o clube da Gávea como o provável vitorioso do Fla-Flu de domingo. Sob o título “Outubro vermelho e preto”, assim escreveu Muhlenberg.

    “Após a embaraçosa demonstração de tibieza e falta de testosterona do time do Fluminense contra o desesperado Curinguinha, resolvi escrever essas linhas para alertar o amigo e beletrista João Marcelo Garcez sobre o Fla-Flu de domingo. Alertar e recomendar fortemente que não se desloque até o Maracanã. Não valerá à pena.

    “Longe de mim querer provocar, até porque nossos objetivos neste Campeonato Brasileiro não são conflitantes. Sei que o momento não é dos mais felizes lá pras bandas das Laranjeiras. Afinal, perder pontos para um time moribundo em pleno Maracanã não é das atitudes mais elegantes para as altas pretensões de seus correligionários. Mas percebe-se claramente a fidalguia e os bons modos do Fluminense, que, como convidado da CBF, evita as controvérsias e não pretende causar problemas aos clubes que participam da Primeira Divisão com base no índice técnico. Compreendo que nessa condição precária seja melhor não arriscar nenhuma palhaçadinha.

    “Enquanto a sua torcida, mesmo com o time surpreendentemente classificado para a Libertadores, proporciona públicos dignos de semifinal de campeonato de aeróbica, a do Flamengo, malgrado nossa posição indigna na tabela, vem quebrando recordes de arrecadação semanalmente. Você é um cara perspicaz e com inteligência acima da média, então imagine você, João, o que poderá acontecer com os incautos tricolores que se aventurarem a botar a cara no Fla-Flu. Aniquilação física é um termo forte e inexato, perdoe o meu vocabulário limitado, mas a torcida tricolor vai simplesmente sumir diante do oceano rubro-negro que inundará o Maior do Mundo.

    “Se fosse só por isso eu nem me daria ao trabalho de lhe alertar. Você é um torcedor experiente e já está mais que acostumado com a dramática discrepância numérica entre nossas torcidas. O pior te digo agora: desde a longínqua Revolução Russa que outubro é um mês aziago para a burguesia mundial. No nosso torrão tropicalista, em particular no Rio de Janeiro e mais especificamente em relação aos Fla-Flus, outubro é um mês que não favorece a sua equipe.

    “Desde a segunda vez que nos enfrentamos, ainda em 1912, um doloroso chocolate de 4 a 0 que inaugurou a freguesia que até hoje perdura: o Flu só toma na cabeça em Fla-Flus disputados no Mês da Criança. Foi assim em 1919, 1934, 1936, 1940, 1941 e assim prossegue século XX adentro. Enfim, são tantos os Fla-Flus vencidos pelo Flamengo nos outubros que temo ser repetitivo.

    “Então um dia, num 0 a 0 pelo Brasileirão-1995 se disputou o último Fla-Flu em outubro durante 11 anos. Esse triste hiato só foi quebrado na edição do ano passado, quando o Flamengo aplicou uma lição de forte conteúdo moral no seu time: um sonoro 4 a 1 acima de qualquer suspeita.

    “Enfim, creio que o amigo compreenderá a lógica que move esse alerta. Ainda que me divirta sobremaneira com o sofrimento alheio (exclusivamente quando o assunto é futebol e rivalidades municipais) não quero que você desperdice seu precioso tempo e nem que tenha que se misturar com a rafaméia desdentada e incontrolável que o Flamengo levará para mais um “Baile do Vermelho e Preto em Outubro” no Maracanã.

    “Um abraço e saudações rubro-negras”

    Tricolores, minha resposta às provocações deste meu amigo gaiato estarão em seu blog a partir desta sexta-feira.

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    Então é Fla-Flu!

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  10. 30/09/2007

    Pulso firme



    Renato Gaúcho está certíssimo em defender os interesses do Fluminense neste episódio da renovação de contrato do Thiago Neves. Escalado para o jogo contra o Paraná até a poucos minutos do início da partida, o apoiador foi sacado do time pelo treinador por ter voltado atrás da promessa de que assinaria o contrato na segunda-feira.

    Renato também é sincero quando diz que Neves fez, sim, falta ao time, mas que, independentemente disso, nem ele nem qualquer outro jogador jamais sobrepujarão o clube enquanto ele estiver à frente da comissão técnica tricolor.

    Não se trata de jogar a torcida contra o atleta. Vejo a decisão como uma medida puramente protecionista à instituição, que não deve mesmo servir de vitrine para outros clubes.

    Apoiado pela Unimed, o Fluminense colocou as cartas na mesa e ofereceu um ótimo salário a Thiago Neves por um contrato até dezembro de 2009, um valor superior, inclusive, ao que ofertou o São Paulo. Diante disso, só posso atribuir a recusa de última hora do jogador a um possível leilão.

    Por mais que percamos em criatividade no meio-de-campo, temos que ser racionais nessa história. Thiago Neves se valorizou e é justo que receba um reajuste. Mas fazer do Flu uma vitrine para engordar seus bolsos deixando depois o clube a ver navios também não é das atitudes mais dignas.

    Façamos deste restante de Campeonato Brasileiro, em que não temos mais qualquer aspiração ao título, um laboratório para a Taça Libertadores da América. Com uma ressalva: deve jogar somente quem estiver comprometido conosco para a disputa da competição continental.

    Certo, Thiago Neves?

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    Um frangaço de Fernando Henrique – pra variar, em mais um chute de longa distância (um drama) - pôs fim a qualquer possibilidade de reação do Fluminense na derrota por 3 a 1 para o Paraná. Não que o time estivesse jogando bem. Mas o fato é que o Flu voltou para o segundo tempo mais animadinho, e um gol sofrido daquela lamentável maneira jogou uma pá de terra nos ânimos da equipe, que praticamente deixou de ameaçar o gol de Gabriel.

    Já discorri uma coluna inteira sobre o assunto (felizmente, com adesão da maioria dos leitores): Fernando Henrique, apesar da confiança de Renato, não é goleiro para trajar a camisa 1 do Fluminense. Temo, insisto, que FH nos deixe na mão em momento crucial da história do clube.

    E, dessa vez, não gostaria de pagar para ver.

    ***
    Está provado que não é verdade que Roger e Luiz Alberto dão conta do recado na ausência de Thiago Silva. Com todo respeito a ambos, juntos, não dão um do “melhor zagueiro do Brasil”.

    ***
    Não creio que a Justiça cassará o título brasileiro de 2005 do Corinthians. Mas é bom a diretoria do Flu também ficar atenta ao caso. É que, se desclassificarem o clube paulista, o Tricolor terminará o campeonato daquele ano em quarto lugar, colocação que o classificaria para a Libertadores (ou pré-Libertadores, como queiram).

    Como a competição já aconteceu e o Flu não tem mais como disputá-la, o clube poderia pedir uma indenização.

    Olho vivo!

    ***
    Ok, após quatro vitórias consecutivas, o Flu teve uma atuação apática e perdeu merecidamente. Mas vem aí uma semana bacana com jogaços contra Corinthians e Flamengo. Por isso, faço um convite: que tal invadirmos o Maraca para seguirmos com aquela linda festa à la anos 70, que está encantando todo o país?

    Eu, você e o Flu merecemos.

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João Marcelo Garcez, publicitário e jornalista, 28 anos, carioca, trabalha desde 2006 na agência DM9, tendo já atuado em empresas como o Jornal dos Sports (2002) e TV Globo (2003), onde foi roteirista. Trabalhou ainda na agência publicitária Unlike Sistemas de Marketing (2000/2001) e no jornal O Debate, de Macaé, onde foi editor-chefe (2004/2005).

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